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Colonização Agrícola

Colonização Agrícola e o seu Impacto Sobre os Modos de Vida Tradicionais

A partir da década de 70 segundo Teixeira, o processo migratório para Rondônia fica mais intenso devido o sonho do tão merecido pedacinho de chão. Gente vinda de todas as partes do Brasil com muito mais propriedade os de minas, Paraná, São Paulo e o sul do Brasil foram os desbravadores em sua maioria, construindo sonhos e desilusões. 
E ainda tem os aventureiros, os de migração fugida, a exemplo dos nordestinos, vindo de uma realidade caótica, suas Terras nada produzem devido o tamanho da seca no sertão nordestino e os inconformados onde estão que nos grandes centros urbanos sua presença torna-se meramente mais uma unidade dentro da comunidade e esse indivíduo profissional querem ter a oportunidade de fazer parte da direção tanto econômica bem como da organização comunitária-religiosa-política.
Há um relato de um medico do Rio de Janeiro nesse livro que diz:

“No Rio de Janeiro a minha importância dentro da comunidade não aparecia; e isso acabava concordando com uma não participação no processo atual. Aqui não. Aqui numa cidade pequena, você queira ou não, você participa do processo decisório; da sua opinião e ela é ouvida e discutida.” TEIXEIRA. P. 194 

Vale há pena perguntar, de quem de fato pertence nossa Rondônia? Pessoas de formação bem como incultas vieram na mesma direção em busca de algo. Uns para subalternos e outros para serem patrões. Nesse sentido o cenário geográfico político começa a ter uma nova roupagem. 
A mata que outrora era a grande fonte de vida para os seringueiros e índios, agora se transforma num grande cenário de disputa econômica, entre o capitalismo tendo como ponta de lança os latifundiários (médios produtores e grandes fazendeiros) e os povos da floresta com a sua cultura de subsistência familiar. Nesse sentindo temos dois campos de ação, a de preservação da natureza, pois dela tudo se extrai e a devastação, onde para se produzir precisa-se de espaço.
Todo o aspecto migratório seja ele, na horizontal ou na transversal precisa ser mais bem ordenado. Um dos fatores para a desigualdade social e a má distribuição de renda-posse, onde causa enormes bolsões de pobreza, seja nas cidades ou na zona rural. 
Fato esse que no processo da colonização não foi levando em consideração, o que levou a ter sérios confrontos pelo direito da Terra, a exemplo de Corumbiara. Nesse sentido “a posse da Terra” ela tem dois universo muito bem dividido entre as classes sociais, os seringueiros tem na Terra com parte inerente de suas vidas, nela está o principio para o surgimento de vida. Sua existência depende dela e ele sente parte dessa terra (não seria bíblico esse sentimento com relação à terra?). 
Por sua vez, os proprietários médios e grandes produtores, que tem na Terra sentimentos de posse-objeto, onde sua relação não passa de mercadologia. Como se não bastasse virar moeda troca também é sugada ate o fim nas suas riquezas naturais.
 Esse é o sentimento refletido no coração do colono seringueiro traçado no relato do pesquisador onde ele diz:

Na parte dos rios e dos peixes nós (nos) sentimos prejudicados, porque antigamente existia fartura de peixe, caça bicho de casco, tracajá, tartaruga. E hoje, como a chegada do pessoal novato, aglomerou muito o numero de povos e aquelas coisas não existe mais. Ate mesmo os rios que é da natureza, que homem nenhum fez e que não pode ser vendido, as pessoas que receberam terras embeiçando aquele rio querem dominar aquele pedaço. Ali ninguém pesca nem faz uso da água: nem para piquenique nem para tomar banho. Tudo é proibido porque que recebeu a terra encostada no rio. TEIXEIRA. P 203

A Terra ela é finita nos seus recursos naturais, sabemos disso hoje, mas uns 30 anos atrás já pensavam na necessidade de um melhor manejo da Terra, claro que isso não era pensamento dos influenciados pelo capitalismo, era de ordem de ambientalista, os próprios seringueiros vendo sua fonte de vida se esvaecendo e sangrando ate o fim e outros segmentos.  
A migração para uma terra longínqua de familiares de seu habitat natural fez com que muitas famílias perecessem nas duras e sobrinhas matas de Rondônia. Pessoas que não conheciam a região, nem sua forma de vida, como dela se auto sustentar. 
Até que suas situações fossem legalizadas pele INCRA vivia a mercê da própria sorte, pediam, trabalhavam de domestica, oficinas mecânicas, serrarias e extração de madeira. Fato importante é que a forma de transporte era o mais precária, era o conhecido “pau de arara” meses em uma estrada barrenta e esburacada. 
A posse das terras pelos novos habitantes (colonos) era feita as duras penas de caminhas com cacaio nas costa e em lombos de burros e cavalos de horas e dias mata a dentro, essa é a historia de minha família que chegaram aqui no fim da década de 60, final do Km 23 e linha 128, onde meu avô alem de adquirir Terra para sim também para seus filhos lotes lado a lado. Os principais locais para se estabelecer deu se entre Vilhena e Porto Velho as margens da BR 364.
Com a desapropriação dos seringueiros os colonos agora donos desse pedaço de chão encontra na extração do látex, tanto a seringa como o caucho sua fonte de renda mesmo que provisória. Todavia essa pratica não é afinado como as dos nativos, que fazia da extração seu meio de vida. 
Os colonos estão aprendendo a fazer manuseio dessa profissão que ira por hora tira-lo da crise. Os olhos do colono estava mesmo era na extração de madeiras nobres tipo: mogno, cerejeira e outras. Ao que parece, a colheita da borracha era um pretexto ou um meio de fazer duas coisas ao mesmo tempo, conhecer a mata e os locais onde estão as arvores e colher a borracha.
Ao que me parece ser, os colonos vindo do sul do Brasil parece ter uma visão diferenciada da Terra. Suas praticas anteriores era de preservação do meio onde se vive e trabalha, as arvores, mata tem uma relação muito forte com seu modo de vida. Quando aqui chega (Rondônia) o exemplo e o modo de cultura é predatório, há falta de tecnologia mesmo que seja rudimentar tipo arados movido pelos burros etc., mas suas praticas no sul era selecionada e culturalmente diversificada. Logo a natureza não é uma aliada do homem e sim obstáculo tanto para o progresso quanto para o capitalismo.   

“Aqui não se usa machado. É só motosserra. Eu acha que era um crime a gente fazer aquilo, uma infelicidade... A gente tem dó de derrubar uma arvore (há) tanto tempo vivendo, por exemplo uma castanheira, dentro de cinco minutos a gente destrói ela. Mas o que a gente vai fazer? A parte desmatada que vai se usada para a lavora não pode aí deixar a castanheira (mesmo), porque o fogo passa e ela acaba quebrando.” TEIXEIRA. P 215

Embora os sulistas tenham uma boa relação com a terra, ainda assim não é nada frente o tratamento que o seringueiro da à mãe terra. O solo é um lugar sagrado. A profanação desse santuário se dar por dois vieses; quando o homem ganancioso movido por seus instintos inescrupulosos violentos a simplicidade e profana o homem natural (seringueiro), fazendo dele sua marionete, agora que o tornou dependente e viciado, têm acesso livre ao sagrado. Agora sem lei. Que ironia, amparado pela lei pode fazer o que quiser e como quiser nessa época.
Essas Terras desde o inicio e ao longo dos tempos tem sido motivo de grandes desavenças, mortes e palco político. Seja índio, colonos ou seringueiros. A causa primaria é justamente de quem é a terra? Índios as defendem como sendo deles bem como os seringueiros que a priori vivem relativamente bem por ter um estilo de vida similar com a chegada dos colonos a rivalidade muito mais entre os índios tem sido noticiado, escrito. 
Entretanto os conflitos não fica somente entre os nativos e colonos o próprio INCRA como também a FUNAI, aparato do Estado, tanto para a repressão como para manipular são objetos causantes de contenda, desprezando tanto a casa como a cultura local e o ambiente de convívio dessa família dizendo:

Se um seringueiro fizesse ali uma pele de borracha (ele dizia): bota essa imundice lá fora! É por isso que vocês são (considerados) preguiçosos! Eles (e aqui incluiem os colonos) comparam o povo daqui com “bicho do mato”, enquanto eles são os cabeção, os paletó grosso. Eles desprezam nós, relato de um seringueiro de JaruTEIXEIRA. P. 237         

A presença do Estado nessa época não configurava segurança da ordem, distribuição das Terras e do desenvolvimento agrário nem mesmo amenizava os impactos na natureza nem nos desapropriamento indevido nem nos conflitos agrários entre colonos (médio produtores agrários e fazendeiro) e índios. A sorte esta dada e é claro, os benefícios tinha que possuía a maquina administrativa na mão seja a prefeitura ou o Estado. 
A violação dos diretos de posse era frenquente, resolvia se na bala, mata se o nativo, chefe da casa ou do pequeno seringal e intimida o restante da família e os domestico da casa forçando os a iram embora. Uma mulher seringueira diz:

Eu vivo aqui em jaru desde 1944... criei cinco filhos (...) cortava seringa (...) corto seringa nas terras dos outros (...) eles não querem dar seringa pra gente cortar (...) o INCRA me deu terra (...) longe perto dos índios (...) não gosto de trabalhar nas terras dos outros (...) queria arrumar terra para meus filhos; acho que eles têm direito, pois todos são filhos daqui deste Jaru (...) TEIXEIRA. P. 247

Os anos se passaram, e as dificuldades continuam as mesmas. Os grupos de resistência seringalista, embora já não mais com o mesmo fervor e aquela abundancia perene nem mesmo a látex é objeto de cobiço e comercio para todos os lados que se via em sua época.  
Mas o velho sonho de sua terra ainda é presente na lembrança dos velhos, os jovens filhos e netos bis netos só uma historia, uma saga de sua família para talvez ser contada em sala de aula de forma tímida e reprimida. Porque não a sua origem sua historia não é a dos desbravadores megalomaníaco fazendeiros que fizeram furtuna na desgraça de muitas famílias desapropriada para o seu sonho mesquinho e egoísta. 
Assim é a vida dos pobres desbravadores e preservadores da sua mata. “Se não houver justiça para os pobres, que não haja paz para os ricos

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TEIXEIRA, Correa Carlos. Visões da Natureza, Perseguição e, em Rondônia. São Paulo/SP. Ed UMESP, 1889.  RESUMO DO CAP. III – a Colonização Agrícola e o seu Impacto Sobre os Modos de Vida Tradicionais.

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