Félix Alejandro Pastor[2]
Essa abordagem epistemológica da teologia traz um olhar sobre o método do discurso e o método teológico, tendo como objeto de reflexão a própria teologia no seu contexto da modernidade. Nesse sentido, a teologia através do método e da doutrina, tem por finalidade discutir a hermenêutica do conhecimento sobre a teologia.
Como se trata de normas lógicas e princípios fundamentais (a oxioma) essa apresentação visa então discutir a proposição que se admite como verdadeira na modernidade, porque dela se podem deduzir as proposições de uma teoria ou de um sistema lógico[3] da teologia, sejam dogmáticas, na fé ou na razão.
Os seguintes pontos são:
ü Da antiguidade à modernidade – as tensões culturais da modernidade com a dialética referente ao mundo clássico antigo, logo as novidades presente causa conflito com o passado, seja na cultura, na sociedade, na vida, na filosofia e no modo de viver, de pensar a religião e ate mesmo a fé.
§ Paradigma de integração – depositum fidei vem reafirma a importância da doutrina dos apostolo como fiel depositário da fé. Onde há uma recomendação à fidelidade da tradição e a sucessão apostólica ao Cânone das Sagradas Escrituras ao dogma trinitário à profissão de fé no mesmo credo, isto é igreja que esteja em comunhão com Roma. Essas comunidades vivem e transmite a mesma experiência de fé doutrinal, como precioso legado da fé.
§ Paradigma de subordinação – a comunidade o reconhecimento a relevância do depositum fidei. Mas sobre tudo a razão esta subordinada da fé, na idade media tanto a teologia como a filosofia tiveram certa autonomia, logo a teologia passou a dar mais ouvidos a exegese sacra e a prestar também atenção nos cânones da igreja. Nesse interino a teologia quis elaborar um método dedutivo para uma ciência da fé, nisso segundo os paradigmas da antiguidade, quer nos modelos idealista no platonismo de Santo Anselmo ou mesmo no realista aristotélico de Tomás de Aquino.
§ Paradigma de justaposição – há uma substituição do processo dedutivo para o indutivo e os métodos de integração e de subordinação pelos métodos de justificação da razão e da fé. Com o surgimento da doutrina nominalista a justificação parece agora depender exclusivamente do absoluto arbítrio – potentia absoluta voluntatis divinae.
§ Racionalismo e fideísmo – no iluminismo há uma separação entre a fé e a razão, o racionalismo teceu duras criticas contra o cristianismo como religião histórica. Não muito obstante os lumen rationis faz critica semelhante dizendo que a religião historia é fanática e intolerante postulando a substituição por uma religião nos limites da razão pura.
ü A modernidade como desafio – no século XX as principais escolas teológicas abre espaço para que os anseios da modernidade em seu contexto tanto histórico..., bem como os desafios eclesiais teológico.
Teologia da Palavra – surge em oposição à Teologia Liberal. Karl Barth repensa a experiência da religião bíblica tendo como centro da revelação escatológica, Cristo. O kairós é o Deus divino o Deus da aliança em Cristo feito a Abraão como sendo o único salvador e transcendente. Essa relação querigmática não pode acontecer por via da dialética lumen rationis, mas sim pela via paradoxal lumen fidei, a graça justificadora dos pecadores. A “Teologia da palavra” encontro em R. Bultmann, tanto o método querigmático como a perspectiva da hermenutica a autenticidade existencialista tendo E. Fuchs pensando como doutrina e G. Ebeling uma proposta como doutrina da Palavra de Deus.
Método de correlação – a Teologia da Palavra prefere a perspectiva querigmática e da ênfase a distancia entre Deus da religião e o Deus que se manifesta através da graça justificadora pela fé. O método P. Tillich da correlação da ênfase no dialogo com discurso da Teologia bem como na identidade entre Deus da transcendência na dimensão do incondicionado, ou seja, a revelação aconteceria no Cristo da religião. Onde a Teologia teria como objeto de reflexão o Deus da revelação e da fé, isto é, só tem sua valia a partir da perspectiva do incondicionado e do sagrado. Sendo assim é a partir do Deus da religião seria possível afirma o Deus da fé.
Teologia do mistério – a modernidade também criou crise no contexto do catolicismo. O imanetismo religioso força a sublinhar um momento místico e imediato com experiência do mistério sempre procurando não haver entrave na lógica e reflexão teológica. Essa reflexão leva a estabelecer um dialogo entre as religiões e com as culturas humanísticas ateias, sendo assim, a perspectiva da transcendência e do místico não impede a elaboração de uma teologia da cultura etc.,
Teologia transcendental – essa Teologia esta gestada na perspectiva antropológica, ou seja, no transcendentalismo de Karl Rahner onde a gnosiologia transcendental medita no mistério cristão. O homem na história é tido como destinatário de uma auto-comunicação divina e divinizante que se torna detentor da graça vitoriosa e predestinante, existencial e sobrenatural. É um decreto divino universal de salvação. Logo o homem criado em Cristo só pode ser divinizado em Cristo sobre tudo na transendencia do mistério e reconhecido como destinatário da auto-comunicação divina que acontece na historia salutis onde acontece a graça da auto doação do Pai.
Teologia da “morte de Deus” – para compreender e comunicar ao homem da modernidade a mensagem cristã (no campo evangélico) ouve a secularização da linguagem ou religiosa a respeito da morte de Deus. Nesse sentido o mundo foi assumindo autonomia vivendo no horizonte da fé em uma profunda profanidade secular. Nessa relação do mistério da cruz é revelado do Deus fé e na humilhação de Jesus revela-se o Deus que salva por intermédio da fé. Os chamados Teólogos da secularização tanto na experiência da religião como na linguagem tentão superar a crise da outenticidade sincera da religião, ou seja, superar a visão antropomórfica da divindade trabalhando a demitologização e das criticas a toda elementos supersticiosos.
Teologia da modernidade – a Teologia católica também teve seus desafios com a cultura secular. Procurando um novo paradigma que ligasse as exigências da racionalidade bem como a critica moderna e da tradição eclesial de fé. O fruto dessa temática foi o surgimento da “Teologia Natural”, qual a experiência passou a ser vista simultaneamente de forma fiduciário, tendo como principio luta pela justiça e fraternidade entre os seres humanos para combater tanto o niilismo bem como o ateísmo.
Teologia da historia – tem como relação à salvação e historia ou historia e a cristologia, tanto na perspectiva histórica na revelação divina ou na relação entre historia e mistério, uma verdadeira utopia. Em suma a Teologia da Esperança. Ela vem sublinhar a tensão do “ainda não” como também a dialética do novum, que foi fundamental para compreender a existência humana individual e social. Essa promessa trás três elementos base são eles: 1) novidade escatologia 2) a universalidade antropológica 3) e a intensificação metaistorica, onde ambas estas na relação da escatologia do fervor e da experiência religiosa. Nesse sentido a comunidade vive sempre sob a Theologia crusis e não sob a theologia glorie.
Teologia política – foi elaborado um projeto de “Teologia Política” para analisar a relação entre religião e história ou entre fé e política. Essa produção teve como objetivo denunciar o individualismo possessivo burguesa. Por outro lado temos o iluminismo superando uma visão de não emancipação da cultura e da sociedade, que fazem duras criticas ao modelo de cristianismo como religio civilis e como legitimador de uma sociedade e políticas conservadoras.
Teologia da libertação – propõe uma emancipação das classes populares e das raças e culturas subalternas. Essa teologia sublinha relevância política do Deus da revelação bíblica como Senhor libertador dos oprimidos e como Rei e Senhor de uma aliança de justiça e santidade. Não tolera o pecado da idolatria bem como o da injustiça contra a fraternidade, Ele é o Deus da revelação do futuro e da promessa realizando libertação dos oprimidos e humilhados. Essa teologia de ortopráxis suscita problemas de método e hermenêutica como também o plano do conteúdo dogmático etc., não deixando de observar o magistério eclesial. Embora utópica, mas o centro do desejo, é que tenha uma libertação integral, justiça, igualdade.
ü Articulação da epistemologia teológica – nos argumentos epistemológico onde é verificada a proposta doutrinal há alguns pré-supostos a serem analisado. Essa doutrina tem como base para a reflexão teológica mesmo que remotamente como depositium fidei, quer proximamente com regula fidei e a dialética fundamental entre o auditus fidei e o intellectus fidei. O uso de o método querigmatico ira perpassar tanto a teologia fundamental, o método dialético como a teologia dogmática para articular a fé e a razão causando a ela um equilíbrio.
☻ Auditus fidei: Doutrina apostólica e deposito da fé – esse termo era muitíssimo usado nas culturas jurídicas da antiguidade, mas também era usada na tradição mosaica bem como nos Templos de Jerusalém embora com delimitação. O deposito teria que ser cuidadosamente guardado chegando a ter um caráter divino ius divinum. Essa carga de responsabilidade também veio para o cristianismo no que diz respeito a guardar a verdadeira doutrina contra os falsos profetas, mestres. O próprio apostolo Paulo vendo que seu ministério estava chegando ao fim cuidadosamente ele deixa a herança ao colégio de presbítero ou anciões da comunidade local a doutrina sobre sua conversão e a justificação pela fé em Cristo. Nisso os presbíteros tiveram a compreensão da doutrina do desígnio salvífico de Deus e foram constituídos vigilantes do rebanho de cristo. O depositum fidei é algo passado de destinatário para destinatário com todos os cuidados necessários para não haver deturpação dessa doutrina, foi assim que Paulo fez com Timóteo e que deveria fazer de igual modo escolher de forma cuidadosa o próximo ministro digno de confiança que igualmente deveria transmitir ao seu sucessor o deposito da fé. Aos pastore cabe resistir firmemente toda doutrina duvidosa ou estranha que possa colocar em perigo a identidade da comunidade, vindo a romper com a comunhão a fé e a credibilidade do deposito da fé.
☻ “Deposito da fé” e “oficio de ensinar – tanto o concilio de vaticano I como o vaticano II trabalha para reafirma através do magistério eclesial o deposito da fé e o oficio de ensinar, uma proposta de ensino para ao mundo moderno a substancia da doutrina católica a fim de que fosse escutada e bem aceita.
☻ Unum Verbi Deis sacrum depostium – o pressuposto da revelação e sua frutificação na comunidade eclesial, sua base é a permanência na doutrina apostólica e na unidade com seus pastores fiel ao depositum fidei que é constituída pela Escritura e pela Tradição. Nesse sentido o deposito da fé é irreformável, mas deve haver modos de propor e/ou atualizar conforme a peregrinação histórica da comunidade eclesial. Contudo o exercício da teologia deve ser a de integrar o testemunho da Palavra no trabalho de interpretação do magistério da igreja, é preciso distinguir entre o depositum fidei contido na traditio fidei que se manifesta na liturgia na ética na espiritualidade Ca comunidade bem com em outras tradições culturais que não fazem parte da revelação divina nem da tradição de fé.
☻ Intellectus quaerens fidem, fides quaerens intellectum – afirma a revelação divina, leva o cristão a um estagio de capacidade e razão de conhecer a verdade e distingui-la do erro, bem como conhecer o bem e distingui-lo do mal. Sua capacidade de síntese tem que estar aprimorada para ser capaz de formular a verdade em um enunciado ou sentença e deve ser capaz também de escolher o bem livremente. Para isso a teologia tem na fé o referencial de partida e chegada em seus discursos, nesse sentido a reflexão ulterior da razão humana com objetivo de entender e aceitar a revelação divina em Cristo como Palavra definitiva. Logo o evento Cristo para o que crer não pode ser duvidoso e como também aceitar os conteúdos objetivados na doutrina e morais da mesma fé. O exercício do intellectus fidei supõe a verdade do enunciado de fé e sua revelação divina contida no deposito da fé, a priori a teologia não pode prescindir a fé como referencia, e a fé tão logo é sempre resposta de fórum intimo e eclesial à revelação. O intellctus fidei tem como função a organização dessa pluralidade de enunciado da Fé sobre a diversidade teológica para que se possa ver e refletir na relevância teórica e vital dos diversos elementos da experiência da fé.
[1] Teologia na Pós-Modernidade. Abordagem epistemológica, sistemática e teórico-prático. Organizadores: José Trasferetti e Paulo Sérgio Lopes. Ed. Paulinas – São Paulo 2003.
[2] Presbítero jesuíta. Mestre em filosofia e doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (Itália). É professor de Teologia Dogmática na Pontifícia Universidade e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. É orientador de estudos no Pontifício Pio Brasileiro de Roma.
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